terça-feira, 7 de julho de 2009

Noites Frias

O frio da noite facilmente é aquecido com um cálice de vinho.
Já o frio que vem da alma, esse já não é facilmente vencido.
Por certo que a bebida ajuda a entorpecer o corpo, mas a sensação que permanece é de pleno e inevitável vazio.
Um vazio "cheio" de remorsos e arrependimentos, daqueles que fazem arder o espírito e arrepiar nossa consciência.
Realmente o vagar desgovernado de nossa existência indica a mediocridade de tantas banalidades que por vezes nos enchem de empáfia, mas que se bem medidos somente servem para aumentar nosso estado de transe hipócrita.
Nessa noite fria de inverno, realmente me surpreende quando vislumbro o quanto coisas que relegamos a segundo plano eram importantes, ao passo que tantas imperfeições de nossa carcaça são bejuladas e tratadas como vitais a nossa existência, quando não passam de meras adjacências, subúrbios da cidade chamada vida.
Amores são imprescindíveis, amantes são descartáveis e não acrescentam absolutamente nada.
A fé é vital, enquanto a crença no consumismo e no exibicionismo são apenas demostrações de nossa vil ignorância.
Os amigos, esses podem ficar ausentes por anos e anos, e ainda assim sempre estarão dispostos a doar um sorriso, um abraço, um trago, um incentivo, enfim, são leais e eternos.
Já amizades de ocasião não resistem ao primeiro distúrbio, seja por arrogância ou orgulho, seja por interesse puro, seja por não saber o real sentido da palavra amizade.
Com certeza todos já experimentamos de ambas as possibilidades.
Brindemos a família, aos amigos, aos amores e a todos os que ao passarem por nossas vidas deixaram um pouco de si, enriquecendo nossa existência seja de que maneira for, afinal forjamos nosso ser a partir de experiências das mais variadas.
Realmente ao escrever essas humildes e mal traçadas linhas, sinto-me melancólico e saudosista, a medida em que me ressinto de não ter aproveitado vários momentos sublimes da vida, que passaram despercebidas na correria e na atribulação que criamos em nossas vidas.
Mais uma vez prometo procurar o real sentido da vida na simplicidade com devemos nos portar perante a sociedade.
Na humildade que devemos externar para com nossos semelhantes.
Prometo dar graças a cada nascer e em cada por do sol.
Prometo caminhar mais pelos campos e matas, vales e montanhas.
Prometo admirar cada queda d'água e cada riacho.
Prometo cativar as pessoas ao meu redor.
Prometo lutar desesperadamente por aquilo que acredito e não desperdiçar oportunidades de dizer às pessoas aquilo que tenho vontade, ou seja, se for para se arrepender depois, que seja fazendo, realizando, amando.
Enfim, prometo não desperdiçar mais tempo com futilidades, amar a vida e agradecer a Deus por simplesmente existir.
Mas o vinho acabou e o frio persiste, porém, minh'alma se aqueceu.
Estou aquecido de felicidade e revigorado para o novo dia que se iniciará pela manhã.
Que Deus continue iluminando a Terra. Amém.

Nenhum comentário: