sexta-feira, 23 de agosto de 2013
O FUTEBOL DOS CAMPINHOS E A FORMAÇÃO DO CIDADÃO
Ainda lembro bem das cidades de Itararé/SP e Sengés/PR na minha infância, tempo em que ainda tínhamos vários terrenos baldios e ali fazíamos nossos campinhos pra jogar futebol. Mais do que o futebol propriamente dito, isso significava trabalho em equipe, força de vontade pra poder praticar o esporte que amávamos.
De fato, em Itararé tínhamos o campinho da CESP, e em Sengés, pra onde vim em 1984, fizemos (sim fizemos) vários campos para poder jogar, sendo que a cada nova moradia construída mudávamos nossos campos, como verdadeiros despejados pela construção civil.
Sengés era muito pouco habitada da rodoviária pra cima, ou seja, na região do atual Bairro Morungava, sendo fácil encontra-se terrenos vazios, convidativos para a construção dos famosos “campinhos”. Inicialmente era no próprio terreno onde hoje se encontra a rodoviária, depois subimos o morro em busca de espaço, terra plana e esperança de ali se alojar por bastante tempo, o que acabava não acontecendo.
Hoje a juventude tem várias quadras de futsal, bons tênis, bolas de marca, linhas perfeitamente demarcadas, traves de ferro, mas lhes falta o sabor de fazer acontecer, de lutar por aquilo que se deseja. Atualmente as quadras são planas, lisas, grandes e higiênicas, isso mesmo, sem terra, barro, poeira, mas são frias e sem a empolgação de outrora.
Pra que pudéssemos jogar futebol, inicialmente tínhamos que roçar o sapé dos terrenos, capinar, limpar etc. Depois fazer verdadeiros buracos na terra na base do enxadão pra marcar o campo, e finalmente, as traves, que para serem feitas tínhamos que cortar árvores com a ponta em forma de Y pra fixar o travessão.
Era um verdadeiro mutirão, e depois era só jogar com as bolas de capotão n.º 4, com os pés descalços ou às vezes com o super kichute, que exalava um chulé insuportável. Se tivesse um cupim no terreno, certamente funcionaria como beque, porque jogaríamos com ele ali mesmo, como sempre ocorria no extinto campo da Turma IV.
O dedão do pé volta e meia voltava sem a tampa, e raramente não tínhamos algum arranhão, corte ou hematoma pelo corpo, mas a felicidade de praticar o futebol nos campinhos era fantástica. Nada mais prazeroso que comemorar os gols gritando o nome dos ídolos, e olha que os jogos eram pegados, da cintura pra baixo valia de tudo.
Sem internet e celular o chamamento era na base do grito, sendo que o pessoal ia passando e gritando da rua, um som que somente os atletas conheciam. E lá ia surgindo a molecada de todos os lados, dando pra formar vários times, escolhidos a dedo. Eu nunca fui dos primeiros a serem escolhidos, mas também não tinha o desprazer de ficar pro final, algo humilhante.
Vendo como tratam nossas crianças hoje em dia, sinceramente não sei como aqueles moleques sobreviveram à “humilhação” e ao “bullying” terríveis a que eram submetidos. Era desagradável ser a sobra, mas isso somente motivada os perebas a provar que podiam ser úteis ao time, e nunca vi ninguém ser submetido a terapia por isso.
Me solidarizo aqui com os moleques de hoje em dia, que não sabem o que é jogar futebol na chuva e no barro, que nunca se sentiram orgulhosos por construírem o próprio campo, ou que nunca precisaram reencaixar o travessão nas balizas em Y a cada bomba chutada que o derrubava. Tenho boas lembranças de minha infância, onde a rua era dominada pela criançada, sem os problemas de hoje em dia, sem drogas, sem violência.
Só precisava voltar pra casa ao escurecer quando minha mãe gritava do portão, assim como as demais mães. Nosso tempo não era o tempo trazido pela Revolução Industrial, do relógio, dos ponteiros, das horas, dos minutos, mas era o tempo natural, onde uma vez almoçado estávamos livres pra sair e ao escurecer deveríamos voltar pra jantar, tomar banho e eventualmente fazer os deveres de casa.
Eu, particularmente, tinha nos sábados que passar escovão na casa, pra depois poder sair jogar futebol, e isso era chato pra caramba, mas sei que isso também forjou dentro de mim o senso de colaboração e responsabilidade. Agradeço a minha mãe pela rigidez de minha educação, mas ao mesmo tempo pela liberdade que me proporcionou, pois na simplicidade extrema de minha infância, tenho certeza de que trouxe boas lições para a vida adulta.
Trabalho em equipe, contato com a terra, com a natureza, sentimento de liberdade com responsabilidade, valorização do pouco que se tem, aprendizagem de cair e levantar rapidamente. São lições que a minha infância me trouxe e que carrego comigo até hoje, e que a prática do futebol, pela forma como o jogávamos, potencializaram a formação do meu caráter.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O Discurso do Rei
Na última sexta-feira, dia 19/08, as Faculdades Integradas de Itararé - FAFIT/FACIC brindaram a comunidade itarareense com uma sessão de cinema, através do Projeto Cinema & História.
O filme exibido foi "O Discurso do Rei", que narra a História do rei George VI, pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II. A película foi ambientada na época em que Edward, coroado Rei da Grã Bretanha, abdica o trono inglês para para ficar com a mulher que amava, obrigando o jovem George a assumir a coroa.
Ocorre que George é portador de uma imensa gagueira, que lhe impossibilita fazer os discursos inerentes ao monarca, procurando auxilio com terapeutas da fala, até encontrar Lionel Logue, que o ajuda a superar seus problemas.
O filme obviamente, por ser de produção inglesa, procura enfatizar um período histórico importante para a Grã Bretanha, prestes a declarar Guerra à Alemanha Nazista, já durante o reinado de George VI. Absolutamente normal o forte apelo emocional do filme, até pela questão do nacionalismo britânico, a fim de resgatar o orgulho nacional, contextualizando uma situação peculiar e enfatizando a importância do rádio, enquanto atualmente já se dissemina a TV e a Internet como meios mais eficientes de comunicação em massa.
Após a sessão, o Debatedor (qualificar), especialista em História do Cinema, de forma brilhante dissecou o filme para os presentes, apontando virtudes e incorreções históricas encontradas na obra.
Através da análise do debate, se verificou que de fato trata-se de obra primorosa e merecedora do Oscar de melhor filme, ressaltando-se que o roteiro baseou-se em fato histórico, sendo a grande maioria dos fatos narrados verdadeiros e fidedignos, amparados em pesquisas históricas.
Contudo, por tratar-se de produto com objetivos comerciais e nacionalistas, omite alguns detalhes e exacerba outros pontos, sempre no intuito de garantir emoção e simpatia para com os protagonistas e perpetuar o orgulho inglês e o apreço à monarquia.
Concluiu-se que não se trata de documentário, mas de produto midiático, portanto sujeito a imperfeições históricas, ainda que propositais, sendo de vital importância ao historiador extrair as virtudes da obra e promover debates sobre as polêmicas, as omissões e as inverdades.
Nesse sentido importante o debate proposto após o filme, onde se concluiu que de forma geral a película é extremamente útil e suas imprecisões não maculam sua importância e serventia como retrato de uma época histórica, apenas se fazendo um adendo sobre a necessidade de discussão no tocante aos fatos reais quando comparados à obra.
O filme exibido foi "O Discurso do Rei", que narra a História do rei George VI, pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II. A película foi ambientada na época em que Edward, coroado Rei da Grã Bretanha, abdica o trono inglês para para ficar com a mulher que amava, obrigando o jovem George a assumir a coroa.
Ocorre que George é portador de uma imensa gagueira, que lhe impossibilita fazer os discursos inerentes ao monarca, procurando auxilio com terapeutas da fala, até encontrar Lionel Logue, que o ajuda a superar seus problemas.
O filme obviamente, por ser de produção inglesa, procura enfatizar um período histórico importante para a Grã Bretanha, prestes a declarar Guerra à Alemanha Nazista, já durante o reinado de George VI. Absolutamente normal o forte apelo emocional do filme, até pela questão do nacionalismo britânico, a fim de resgatar o orgulho nacional, contextualizando uma situação peculiar e enfatizando a importância do rádio, enquanto atualmente já se dissemina a TV e a Internet como meios mais eficientes de comunicação em massa.
Após a sessão, o Debatedor (qualificar), especialista em História do Cinema, de forma brilhante dissecou o filme para os presentes, apontando virtudes e incorreções históricas encontradas na obra.
Através da análise do debate, se verificou que de fato trata-se de obra primorosa e merecedora do Oscar de melhor filme, ressaltando-se que o roteiro baseou-se em fato histórico, sendo a grande maioria dos fatos narrados verdadeiros e fidedignos, amparados em pesquisas históricas.
Contudo, por tratar-se de produto com objetivos comerciais e nacionalistas, omite alguns detalhes e exacerba outros pontos, sempre no intuito de garantir emoção e simpatia para com os protagonistas e perpetuar o orgulho inglês e o apreço à monarquia.
Concluiu-se que não se trata de documentário, mas de produto midiático, portanto sujeito a imperfeições históricas, ainda que propositais, sendo de vital importância ao historiador extrair as virtudes da obra e promover debates sobre as polêmicas, as omissões e as inverdades.
Nesse sentido importante o debate proposto após o filme, onde se concluiu que de forma geral a película é extremamente útil e suas imprecisões não maculam sua importância e serventia como retrato de uma época histórica, apenas se fazendo um adendo sobre a necessidade de discussão no tocante aos fatos reais quando comparados à obra.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Por um mundo melhor
Foi um final de semana chuvoso, daqueles que a gente fica somente dentro de casa, sem vontade de sair pra lugar algum.
Esses dias são importantes para uma introspecção, pois nos levam ainda que involuntariamente a refletir sobre como passamos nossos dias, nossos relacionamentos interpessoais, nossa fé, nossas perspectivas, enfim, sobre quem somos e o que desejamos.
Devemos aproveitar esses momentos para traçar metas e objetivos, ainda que utópicos, e buscar na sequência sua efetivação, sempre objetivando a perfeição, mesmo que sabedores de que jamais iremos alcançá-la.
Realmente o ser humano somente se torna melhor quando ousa, sem perder a fé e o otimismo. Nada pode levar a humanidade mais para o fundo do poço do que a perda da fé, a descrença no ser humano e o pessimismo exacerbado.
Nos dias atuais somos bombardeados por tragédias, crimes bárbaros e politicagem inescrupulosa, e isso às vezes nos anestesia, fazendo com que percamos a fé e a esperança, e que passemos a olhar a tudo e a todos com desconfiança.
Não devemos nos esquecer que muita coisa boa está acontecendo nesse momento, e que não vira notícia. Certamente em algum lugar alguém está ajudando o próximo, alguém está se doando para ajudar a outrem, alguém está trabalhando honestamente, alguém está com algum projeto que beneficiará a coletividade, enfim, alguém está seguindo adiante, com fé e perseverança.
Arregacemos as mangas, a fim de também procurarmos praticar atos concretos que ajudem a salvar o mundo, e paremos de somente criticar, com críticas despreocupadas e cheias de empáfia, sem conteúdo e sem disposição para lutar.
De nada adianta criticar os políticos, se no momento da eleição os mesmos sempre acabam voltando; de nada adianta criticar a criminalidade, se esta é o cotidiano de várias crianças, que crescem sem valores éticos e morais, enquanto não fazemos absolutamente nada; de nada adianta criticar que algo não funciona, se não somos participativos e não damos qualquer contribuição para aperfeiçoamento do sistema.
Atirar pedras é cômodo e fácil, o desafio é se recuperar do torpor que tomou conta da sociedade, pois somente com tal medida poderemos almejar um mundo mais justo, democrático e próspero.
É como diz o comercial da coca-cola: OS BONS SÃO MAIORIA.
Otimismo, esperança, fé, credulidade e participação, essas são as palavras chave.
Ótima semana a todos.
Esses dias são importantes para uma introspecção, pois nos levam ainda que involuntariamente a refletir sobre como passamos nossos dias, nossos relacionamentos interpessoais, nossa fé, nossas perspectivas, enfim, sobre quem somos e o que desejamos.
Devemos aproveitar esses momentos para traçar metas e objetivos, ainda que utópicos, e buscar na sequência sua efetivação, sempre objetivando a perfeição, mesmo que sabedores de que jamais iremos alcançá-la.
Realmente o ser humano somente se torna melhor quando ousa, sem perder a fé e o otimismo. Nada pode levar a humanidade mais para o fundo do poço do que a perda da fé, a descrença no ser humano e o pessimismo exacerbado.
Nos dias atuais somos bombardeados por tragédias, crimes bárbaros e politicagem inescrupulosa, e isso às vezes nos anestesia, fazendo com que percamos a fé e a esperança, e que passemos a olhar a tudo e a todos com desconfiança.
Não devemos nos esquecer que muita coisa boa está acontecendo nesse momento, e que não vira notícia. Certamente em algum lugar alguém está ajudando o próximo, alguém está se doando para ajudar a outrem, alguém está trabalhando honestamente, alguém está com algum projeto que beneficiará a coletividade, enfim, alguém está seguindo adiante, com fé e perseverança.
Arregacemos as mangas, a fim de também procurarmos praticar atos concretos que ajudem a salvar o mundo, e paremos de somente criticar, com críticas despreocupadas e cheias de empáfia, sem conteúdo e sem disposição para lutar.
De nada adianta criticar os políticos, se no momento da eleição os mesmos sempre acabam voltando; de nada adianta criticar a criminalidade, se esta é o cotidiano de várias crianças, que crescem sem valores éticos e morais, enquanto não fazemos absolutamente nada; de nada adianta criticar que algo não funciona, se não somos participativos e não damos qualquer contribuição para aperfeiçoamento do sistema.
Atirar pedras é cômodo e fácil, o desafio é se recuperar do torpor que tomou conta da sociedade, pois somente com tal medida poderemos almejar um mundo mais justo, democrático e próspero.
É como diz o comercial da coca-cola: OS BONS SÃO MAIORIA.
Otimismo, esperança, fé, credulidade e participação, essas são as palavras chave.
Ótima semana a todos.
sábado, 30 de julho de 2011
Márcio e Corinthians
UM AUTO RETRATO SÓCIO-HISTÓRICO
CAPÍTULO I – PAULISTA DE 1977
Realmente o futebol é marcante na vida da gente, e com certeza ilustra várias passagens de nossa existência.
Minha família é corinthiana e eu obviamente também sou, só que aquele dia 13 de outubro de 1977 marcou muito.
Acho que eu seria corinthiano de qualquer forma, mas aquela final contra a Ponte Preta certamente fortaleceu minha convicção e aguçou minha paixão.
Eu tinha apenas 5 anos de idade e não lembro dos jogos, das partidas em si, mas lembro muito bem da apreensão de meu pai, dos meus tios e de todos a minha volta.
Ainda hoje me recordo da euforia da quarta-feira anterior, assim como da decepção e do desespero do domingo que antecedeu aquela quinta-feira de epopéia pura.
Aqui devo abrir um parênteses para explicar que o Timão venceu a primeira partida da final, mas perdeu a segunda partida em um dia em que o Morumbi bateu seu recorde absoluto de público, até hoje imbatível, gerando a necessidade de um terceiro e decisivo jogo.
O fato é que eu começava ali a entender o corinthianismo, e quando o Basílio fez o gol, já aos 37 munutos do segundo tempo, a única coisa que eu me lembro era da histeria coletiva.
Eu ainda não compreendia completamente o significado de tudo aquilo, mas como era bom sair com minha camisa listrada de preto e branco e uma tolha costurada no cabo de vassoura, e ver de dentro do alfa romeo do meu tio toda festa que se instalou na cidade de Itararé naquele dia.
Foi sem dúvida nenhuma uma noite inesquecível.
Na seqüência vieram os de títulos, 79, 82, 83 e daí pra frente, mas sem dúvida para qualquer corinthiano que tenha vivido 1977, certamente não há vitória mais emblemática que aquela. Foi o dia da redenção.
Naquele ano de 1977 o Brasil vivia sob uma truculenta Ditadura Militar, que reprimia manifestações e o futebol certamente era a válvula de escape da população.
Ali passou a ser chamado de “ópio” do povo.
O ano de 1977 foi marcante, uma vez que a Ordem dos Advogados do Brasil rompeu um silêncio constrangedor no tocante aos desmandos do governo militar, uma vez tratar-se de uma instituição que deveria pautar-se pelos direitos civis. Mas enfim, juntou-se a teólogos, parte da Igreja, e da classe média na luta contra o Regime Militar.
Como advogado militante não posso deixar de citar essa passagem, devido a sua grande importância na luta contra o Regime Militar e pela redemocratização do Brasil.
CAPITULO II – COPA DE 1982
Era dia 14 de junho de 1982, em Sevilha na Espanha, e a molecada respirava futebol. Sinceramente não vi até hoje Copa do Mundo como aquela.
O Brasil estreava na copa contra a União Soviética do super goleiro Dasaev.
Durante os dias que antecederam a copa, só se falava em futebol, mesmo porque era dado como barbada a vitória da seleção canarinho.
Difícil de esquecer que alguns dias antes meu amigo Marcelo apareceu com o álbum de figurinhas quase completo, com encartes dificílimos de se conseguir, como Falcão e o polonês Boniek.
Para minha infelicidade a professora resolveu tomar as figurinhas do Marcelo justo no momento que eu estava vendo, ou seja, tomou das minhas mãos, me deixando desorientado, sob o olhar furioso e cortante do proprietário das figurinhas.
Passei alguns dias correndo dele pra não apanhar, lembrando que ele era repetente na 3.ª série e quase três anos mais velho que eu.
Mais uma vez o período histórico e o regime ditatorial influenciam o comportamento da sociedade, aqui nesse caso, através de professores notadamente repressores.
Mas eis que chega o dia da estréia do Brasil, os times perfilados, o Hino Nacional tocando, depois o da União Soviética, cujo uniforme vinha com aquelas letras garrafais “UCCP” no peito. Hoje sei o que aquela sigla significava.
Assim que o juiz apita e a bola rola minha mãe, no ápice da crueldade grita: “Márcio, vai na venda comprar cebola pra mim”, ao que eu respondi: “Já vou” e continuei vidrado na TV.
O tapa no “pé do ouvido” veio quente. “Eu disse agora, pra ontem”.
Sem dúvida que o período truculento vivido pelo país era refletido dentro de casa, apesar de que eu considero ter sido bem educado, sempre aprendendo a respeitar a autoridade dos pais, ainda que tenha me feito de surdo quando mamãe pediu as cebolas.
Saí voando de casa, não com raiva do tapa, mas com a hora em que ela resolve me mandar comprar cebolas.
Quando voltei já estava um a zero pra União Soviética, um frangaço do Valdir Peres, que só fui ver mais tarde.
O jogo era difícil e o juizão dava uma mão para o Brasil, ao deixar de marcar um pênalti claro em favor dos soviéticos.
Mas o Brasil tinha jogadores maravilhosos e já no fim do jogo virou com dois golaços, o primeiro de Eder e o segundo de Sócrates, o Doutor, nossa seleção conseguiu a virada.
Final de jogo e o Brasil venceu na estréia, era isso que importava. E fomos pro campinho da CESP jogar futebol e narrar nossos gols como se fossemos os jogadores da seleção, a melhor que já vi jogar.
Importante ressaltar o contexto histórico de se enfrentar a União Soviética naquela época.
No mundo pós segunda guerra, formaram-se dois blocos, um comunista, controlado pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, e outro capitalista, controlado pelos Estados Unidos da América.
O Brasil, até por conta da Ditadura Militar ter sido instituída sob o argumento de evitar que o comunismo se instalasse no Brasil com a posse de João Goulart, era fortemente ligado aos EUA.
Com isso tínhamos naquela época, de forma errônea, creio eu, a impressão de que os “vermelhos” eram na verdade inimigos e não simples adversários esportivos.
A copa prosseguiu e na primeira fase vitórias fáceis sobre Escócia e Nova Zelância e a certeza de que venceríamos aquela copa sem maiores dificuldades.
Demos o troco na Argentina que tinha nos tirado da copa anterior, vencendo com facilidade por 3x1.
Teríamos uma Itália fragilizada pela frente, um time que não colocava medo em ninguém.
De fato, ninguém em sã consciência poderia imaginar um placar que não fosse a vitória e classificação brasileira. E o Brasil ainda jogava pelo empate.
Mas como o futebol é o mais apaixonante dos esportes exatamente pela imprevisibilidade, deu Itália 3x2, em um jogo pra ser dissecado, na expectativa de encontrar alguma explicação.
De fato, naquele dia 5 de julho de 1982. Uma tarde de segunda-feira, na cidade de Barcelona, Copa do Mundo da Espanha de Futebol, uma página triste da história do futebol brasileiro foi escrita, e assinada pelo carrasco Paolo Rossi, autor dos três gols da Itália.
Naquela tarde, eu estava em Sengés, na casa dos meus avós, e o campinho de futebol, que sempre fervilhava após os jogos da copa, estava silencioso.
Óbvio que jogamos futebol, mas em momento algum qualquer jogador foi citado.
Nenhum gol foi comemorado com gritos de “Sóóóócrates”, “Ziiiiiiico” ou “Falcãããão”. Nenhuma defesa foi alardeada ao som de “Valdiiiiiiiirrr Peres”. Foi só um jogo sem vida, sem vibração e que no final acabou com todos cabisbaixos.
Realmente a seleção naquele dia acabou com nossos sonhos e com nosso futebol no campinho de terra onde hoje é a rodoviária municipal.
Mas como sempre, só até o próximo jogo.
CAPITULO III – PAULISTAS DE 82 E 83
Pra curar a dor da perda da Copa, só mesmo com o Corinthians sendo campeão paulista em cima do São Paulo.
Com o Morumbi lotado e o timão com aquela camisa listrada de preto e branco que eu tanto adoro. Realmente aquela camisa usada na final de 82 é simplesmente linda.
O Corinthians era uma verdadeira máquina, com Sócrates, Casagrande, Vladimir, Zenon e outros, mas coube a Biro-Biro fazer um gol por entre as pernas de Valdir Peres, sim, ele mesmo, o frangueiro da Copa de 82.
Delírio total e muita festa, pois foi um título merecido, diante de nosso segundo maior rival, com o Morumbi lotadaço.
Quando eu digo segundo maior rival, é porque todo corinthiano já nasce sabendo que o maior rival é o Palmeiras, independente da fase atravessada pelas equipes.
Mas também é muito bom ganhar do São Paulo.
No ano de 1982, mais precisamente no dia 02 de abril, nossos vizinhos Argentinos tiveram a infeliz idéia de invadir as Ilhas Malvinas, desencadeando uma Guerra com a Grã Bratanha, uma vez que a ilha era e é até hoje controlada pelos britânicos, fazendo parte de seu território, apesar da proximidade com a Argentina e de ficar a milhares de quilômetros de Londres.
Portanto, além de ser derrotada pelo Brasil na Copa do Mundo, a Argentina amargou uma fragorosa derrota no campo militar, abandonando as Ilhas Malvinas de forma vexatória.
Mas o ano de 1982 marcou o início da redemocratização do Brasil, através da realização de Eleições Diretas gerais, com exceção do cargo de Presidente da República.
No cenário mundial aos poucos começa a ruir o Império Comunista capitaneado pela União Soviética, com os primeiros sopros de resistência por trás da “Cortina de Ferro”.
Em 1983, repetimos a dose, ou seja, novamente fomos campeões paulista em cima do São Paulo e com o Morumbi lotado.
Mas naquela noite de quarta-feira, não foi um passeio como no ano anterior, foi sofrido.
O jogo foi amarrado e o corinthians jogava pelo empate.
Quando o Zenon deixou de calcanhar aquela bola pro Sócrates arrematar pro gol, parecia que a vitória e o título estavam sacramentados.
Mas um tal de Marcão ainda empatou para o São Paulo já no apagar das luzes.
Porém, quando a bola saiu do meio-campo e o São Paulo a retomou, ali deu um frio na espinha.
Contudo, o jogo já estava se encerrando e o São Paulo não teve mas nenhuma chance de gol. Final 1x1 e o timão sagrou-se bi-campeão paulista, e o São Paulo bi-vice.
CAPITULO IV – A PRIMEIRA GRANDE DERROTA DO TIMÃO
Em 1984 o Campeonato Paulista pela primeira vez foi disputado em pontos corridos, e quis o destino que Santos e Corinthians, 1.º e 2.º colocados respectivamente, se enfrentassem na última rodada do campeonato.
O Santos estava um ponto na frente nossa, e isso lhe dava o direito de jogar pelo empate.
O Corinthians havia perdido vários jogadores, e o time já não era tão sólido quanto nos anos anteriores, mas mesmo assim chegou com força na reta final.
Dunga, isso mesmo, o Dunga da seleção, ainda jovem e em inicio de carreira, era o volante do timão naquela ocasião.
O time do Santos não ganhava nada desde 1978, e veio para aquela final disposto a tudo, inclusive deitar a pancadaria para cima dos jogadores corinthianos. Dema, um dos principais jogadores santistas, afirmou antes da partida que se não vencessem na bola, venceriam no braço.
Foi um jogo bastante violento, em que o Corinthians, precisando da vitória, não conseguiu sair da forte marcação santista, e acabou tomando um gol do Serginho Chulapa, que decretou o fim do sonho do tri campeonato.
Era a primeira vez, aos 12 anos de idade, que eu via meu time perder uma final de campeonato e foi muito sofrido sem dúvida nenhuma.
Ali eu aprendi o que significa derrota.
Por falar em derrota, no ano de 1984, iniciou-se no Brasil o Movimento das Diretas Já, que acabou não prevalecendo, para frustração da população, sendo realizadas eleições indiretas. Porém, acabou vencendo Tancredo Neves, que era de fato o preferido da população brasileira.
Aqui meu Corinthians mais uma vez me encheu de orgulho, uma vez que em plena ditadura os atletas iniciaram o movimento denominado "Democracia Corinthiana" e lutaram pela volta da democracia ao país.
A represa de Itaipu foi concluída, sendo até hoje a maior Usina Hidrelétrica do Mundo
CAPITULO V – O PODER DA REAÇÃO
Em 1987 meu time de futebol me ensinou o poder da reação.
O Corinthians terminou o primeiro turno do campeonato Paulista em último lugar e no segundo turno, em uma arrancada sensacional, terminando invicto, classificou-se para as semi-finais, contra o Santos.
No confronto contra o Santos o Timão atropelou por 5x1, classificando-se para a grande final contra o São Paulo.
O Corinthians acabou perdendo aquela final por 2 a 0, mas saiu ovacionado de campo, tendo a torcida valorizado a bela campanha e a redenção no segundo turno.
Nesse ano, em 26 de abril de 1987 aconteceu um acidente com a Usina Nuclear de Chernobil na Ucrânia, ocasionando a morte de 4.000 pessoas.
A Ucrânia, naquela época fazia parte da União Soviética, e alertou o mundo para os perigos da energia nuclear e de sua utilização em armas nucleares.
CAPITULO VI – O PRIMEIRO BRASILEIRÃO
Era um domingo de sol, 16 de Dezembro de 1990, e o Estádio do Morumbi em São Paulo recebia um público de mais de 100.000 torcedores, a maioria corinthianos com certeza.
O Timão buscava seu primeiro título do Campeonato Brasileiro.
Era um time limitado, mas que contava com a genialidade do craque Neto, o chamado “Xodó da Fiel”.
O Timão se classificou entre os oito na última vaga, na chamada “bacia das almas”, e enfrentou times considerados mais qualificados como Atlético Minieiro e Bahia até chegar a final contra o São Paulo.
No primeiro jogo, na quinta-feira, o Corinthians venceu por 1 a 0, com um gol de joelho de Wilson Mano e jogava pelo empate no domingo.
Eu me encontrava em Sengés, aguardando a hora do jogo, quando por volta das 13 horas ( o jogo era as 16 horas) houve interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Não pensei duas vezes, corri para a rodoviária e peguei um ônibus com destino a Itararé para ver o jogo na casa de um tio são paulino.
No final, gol de tupãzinho, o “Talismã”, e o Corinthians venceu por um a zero e faturou o primeiro caneco do Campeonato Brasileiro.
Em 1988 foi promulgada a Constituição Federal da Repíblica Federativa do Brasil, chamada Constituição Cidadã, que trouxe, independentemente das críticas, grandes avanços sociais que eram sentidas no ano de 1990, com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código do Consumidor, entre outras várias leis, impensáveis no período de Ditadura Militar.
Em 1989 caiu o muro de Berlim, que separava a Alemanha em duas, Oriental Comunista e Ocidental Capitalista, sendo que em 1990 houve a reunificação, prevalecendo a política capitalista. Após a queda do muro várias outros países da chamada “Cortina de Ferro” derrubaram o sistema Comunista, iniciando a onda de redemocratização do Leste Europeu.
Devo admitir que sempre tive mais simpatia pela União Soviética que pelos Estados Unidos e acho que o socialismo e Marx foram muito injustiçados.
Acredito que se Trotski tivesse sucedido Lênin, no lugar de Stalin, talvez a história seria muito diferente.
No Brasil o ano de 1990 foi marcado pelo Impeachment de Fernando Collor de Melo, primeiro presidente eleito pelo voto direto após o período de Ditadura Militar, acusado de corrupução. A juventude foi pra rua com as caras pintadas pedir a queda do presidente Collor, que acabou derrubado pelo Congresso, num momento histórico para o Brasil, que teve pela primeira vez um presidente deposto devido a manifestações populares.
Em 1989, aos 17 anos de idade, eu votei pela primeira vez, e não foi no Collor, razão pela qual fiz coro pela derrubada do então presidente, tendo consciência hoje que ele caiu por questões políticas e falta de apoio no Congresso e não por motivos de corrupção.
CAPITULO VII – A MAQUINA ALVINEGRA
Em 1998 e 1999 o Corinthians se sagrou bi campeão brasileiro, vencendo equipes mineiras em ambos os campeonatos, o Cruzeiro em 98 e o Atlético em 99.
O Timão tinha uma verdadeira máquina de jogar futebol, contando com Marcelinho, Ricardinho, Rincon, Vampeta, Edílson, Luizão, Dida, Gamarra, entre outros e os títulos vieram com bastante tranqüilidade, uma vez que o Timão liderou ambos os campeonatos de ponta e ponta.
O título de 1999 deu ao Corinthians o direito de disputar no ano seguinte o 1.º Mundial de Clubes da FIFA, como representante do país sede, uma vez que o Mundial seria disputado no Brasil, com representantes de todos os continentes, inclusive do Vasco, na época campeão sul americano.
O Corinthians caiu no grupo do todo poderoso Real Madri, com quem empatou por 2 a 2, em jogo inesquecível, classificando-se no saldo de gols.
A final foi contra o Vasco no Maracanã lotado, e após empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, o jogo foi para os pênaltis.
Após muito sofrimento, Edmundo bateu o último pênalti do Vasco pra fora e o Coringão se sagrou Campeão Mundial de Clubes da FIFA.
Durante esses três títulos eu enfrentava a fase mais difícil da minha vida, me equilibrando entre a faculdade (1998-2002) e o trabalho, uma vez que viajava 400 km entre ida e volta diariamente, pois estudava na longínqua cidade de Itapetininga/SP, saindo de ônibus da cidade de Itararé as 17 horas e retornava as 2 da manhã do dia seguinte.
Foi uma fase difícil e marcante da minha vida, em que o futebol certamente foi deixado de lado como nunca anteriormente.
Mesmo assim, sempre dava pra saber pelo menos os resultados e ver os gols to timão, acompanhando os jogos decisivos.
Penso que todo governo deve pensar como o atual, possibilitando aos mais carentes estudar em universidades particulares, diante da escassez de universidades públicas.
Com efeito, se naquele tempo tivesse ProUni eu com certeza teria me dedicado aos estudos com mais afinco. Mas o que existia era um financiamento estudantil com juros bancários e burocracia absurda, com necessidade de fiador e outras exigências.
Aqui falou minha veia socialista, contra o neo liberalismo que imperou no Brasil desde a fim da ditadura até a posse de um homem do povo em 2003.
CAPITULO VIII – O FENOMENO
Para encerrar, já no ano de 2009 chega o maior artilheiro de todas as copas para jogar no Corinthians.
Foi uma jogada de marketing fantástica, alavancando o Corinthians no cenário mundial e sanando os sérios problemas financeiros ocasionados por uma ditadura na direção do clube e por negócios escusos até hoje não esclarecidos.
E logo no primeiro semestre de 1999 o Fenômeno foi decisivo nas conquistas do Campeonato Paulista sobre o Santos e da Copa do Brasil sobre o Internacional de Porto Alegre.
Problemas físicos e com o peso fizeram com que seu rendimento não fosse o mesmo no ano de 2010, e com que encerrasse a carreira já no início de 2011.
O maior centroavante que eu vi jogar encerrou a carreira, e se declarou corinthiano, para orgulho de toda a nação alvinegra.
O Brasil, depois de ver um metalúrgico, um sindicalista, um homem que saiu de pau-de-arara de Pernambuco com destino a São Paulo, fazer um governo de prosperidade, agora vê a primeira mulher presidenta da República.
Sem dúvida, um homem do povo e depois a primeira mulher, significam um marco histórico na História do Brasil, fato que talvez somente daqui a alguns anos tenhamos noção da dimensão.
CAPITULO IX – CONCLUSÃO
De fato, toda a explanação relacionada ao futebol serve como um pano de fundo pra que a gente possa entender as angústias e aflições inerentes a cada faixa etária.
Sempre o que acontece na vida da gente encontra-se inserida em um contexto histórico, seja pelo momento político vivido pelo país, seja por descobertas e avanços tecnológicos.
E o futebol é absolutamente social, é a alegria do povo, não raras vezes sendo até utilizado por políticos como meio de promoção.
Aprendi a gostar do futebol desde cedo, sendo óbvia a diminuição do fanatismo na medida em que aprendemos mais sobre política, religião e cultura.
Por fim, essa é a minha história de amor com meu Corinthians e com o meu Brasil.
CAPÍTULO I – PAULISTA DE 1977
Realmente o futebol é marcante na vida da gente, e com certeza ilustra várias passagens de nossa existência.
Minha família é corinthiana e eu obviamente também sou, só que aquele dia 13 de outubro de 1977 marcou muito.
Acho que eu seria corinthiano de qualquer forma, mas aquela final contra a Ponte Preta certamente fortaleceu minha convicção e aguçou minha paixão.
Eu tinha apenas 5 anos de idade e não lembro dos jogos, das partidas em si, mas lembro muito bem da apreensão de meu pai, dos meus tios e de todos a minha volta.
Ainda hoje me recordo da euforia da quarta-feira anterior, assim como da decepção e do desespero do domingo que antecedeu aquela quinta-feira de epopéia pura.
Aqui devo abrir um parênteses para explicar que o Timão venceu a primeira partida da final, mas perdeu a segunda partida em um dia em que o Morumbi bateu seu recorde absoluto de público, até hoje imbatível, gerando a necessidade de um terceiro e decisivo jogo.
O fato é que eu começava ali a entender o corinthianismo, e quando o Basílio fez o gol, já aos 37 munutos do segundo tempo, a única coisa que eu me lembro era da histeria coletiva.
Eu ainda não compreendia completamente o significado de tudo aquilo, mas como era bom sair com minha camisa listrada de preto e branco e uma tolha costurada no cabo de vassoura, e ver de dentro do alfa romeo do meu tio toda festa que se instalou na cidade de Itararé naquele dia.
Foi sem dúvida nenhuma uma noite inesquecível.
Na seqüência vieram os de títulos, 79, 82, 83 e daí pra frente, mas sem dúvida para qualquer corinthiano que tenha vivido 1977, certamente não há vitória mais emblemática que aquela. Foi o dia da redenção.
Naquele ano de 1977 o Brasil vivia sob uma truculenta Ditadura Militar, que reprimia manifestações e o futebol certamente era a válvula de escape da população.
Ali passou a ser chamado de “ópio” do povo.
O ano de 1977 foi marcante, uma vez que a Ordem dos Advogados do Brasil rompeu um silêncio constrangedor no tocante aos desmandos do governo militar, uma vez tratar-se de uma instituição que deveria pautar-se pelos direitos civis. Mas enfim, juntou-se a teólogos, parte da Igreja, e da classe média na luta contra o Regime Militar.
Como advogado militante não posso deixar de citar essa passagem, devido a sua grande importância na luta contra o Regime Militar e pela redemocratização do Brasil.
CAPITULO II – COPA DE 1982
Era dia 14 de junho de 1982, em Sevilha na Espanha, e a molecada respirava futebol. Sinceramente não vi até hoje Copa do Mundo como aquela.
O Brasil estreava na copa contra a União Soviética do super goleiro Dasaev.
Durante os dias que antecederam a copa, só se falava em futebol, mesmo porque era dado como barbada a vitória da seleção canarinho.
Difícil de esquecer que alguns dias antes meu amigo Marcelo apareceu com o álbum de figurinhas quase completo, com encartes dificílimos de se conseguir, como Falcão e o polonês Boniek.
Para minha infelicidade a professora resolveu tomar as figurinhas do Marcelo justo no momento que eu estava vendo, ou seja, tomou das minhas mãos, me deixando desorientado, sob o olhar furioso e cortante do proprietário das figurinhas.
Passei alguns dias correndo dele pra não apanhar, lembrando que ele era repetente na 3.ª série e quase três anos mais velho que eu.
Mais uma vez o período histórico e o regime ditatorial influenciam o comportamento da sociedade, aqui nesse caso, através de professores notadamente repressores.
Mas eis que chega o dia da estréia do Brasil, os times perfilados, o Hino Nacional tocando, depois o da União Soviética, cujo uniforme vinha com aquelas letras garrafais “UCCP” no peito. Hoje sei o que aquela sigla significava.
Assim que o juiz apita e a bola rola minha mãe, no ápice da crueldade grita: “Márcio, vai na venda comprar cebola pra mim”, ao que eu respondi: “Já vou” e continuei vidrado na TV.
O tapa no “pé do ouvido” veio quente. “Eu disse agora, pra ontem”.
Sem dúvida que o período truculento vivido pelo país era refletido dentro de casa, apesar de que eu considero ter sido bem educado, sempre aprendendo a respeitar a autoridade dos pais, ainda que tenha me feito de surdo quando mamãe pediu as cebolas.
Saí voando de casa, não com raiva do tapa, mas com a hora em que ela resolve me mandar comprar cebolas.
Quando voltei já estava um a zero pra União Soviética, um frangaço do Valdir Peres, que só fui ver mais tarde.
O jogo era difícil e o juizão dava uma mão para o Brasil, ao deixar de marcar um pênalti claro em favor dos soviéticos.
Mas o Brasil tinha jogadores maravilhosos e já no fim do jogo virou com dois golaços, o primeiro de Eder e o segundo de Sócrates, o Doutor, nossa seleção conseguiu a virada.
Final de jogo e o Brasil venceu na estréia, era isso que importava. E fomos pro campinho da CESP jogar futebol e narrar nossos gols como se fossemos os jogadores da seleção, a melhor que já vi jogar.
Importante ressaltar o contexto histórico de se enfrentar a União Soviética naquela época.
No mundo pós segunda guerra, formaram-se dois blocos, um comunista, controlado pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, e outro capitalista, controlado pelos Estados Unidos da América.
O Brasil, até por conta da Ditadura Militar ter sido instituída sob o argumento de evitar que o comunismo se instalasse no Brasil com a posse de João Goulart, era fortemente ligado aos EUA.
Com isso tínhamos naquela época, de forma errônea, creio eu, a impressão de que os “vermelhos” eram na verdade inimigos e não simples adversários esportivos.
A copa prosseguiu e na primeira fase vitórias fáceis sobre Escócia e Nova Zelância e a certeza de que venceríamos aquela copa sem maiores dificuldades.
Demos o troco na Argentina que tinha nos tirado da copa anterior, vencendo com facilidade por 3x1.
Teríamos uma Itália fragilizada pela frente, um time que não colocava medo em ninguém.
De fato, ninguém em sã consciência poderia imaginar um placar que não fosse a vitória e classificação brasileira. E o Brasil ainda jogava pelo empate.
Mas como o futebol é o mais apaixonante dos esportes exatamente pela imprevisibilidade, deu Itália 3x2, em um jogo pra ser dissecado, na expectativa de encontrar alguma explicação.
De fato, naquele dia 5 de julho de 1982. Uma tarde de segunda-feira, na cidade de Barcelona, Copa do Mundo da Espanha de Futebol, uma página triste da história do futebol brasileiro foi escrita, e assinada pelo carrasco Paolo Rossi, autor dos três gols da Itália.
Naquela tarde, eu estava em Sengés, na casa dos meus avós, e o campinho de futebol, que sempre fervilhava após os jogos da copa, estava silencioso.
Óbvio que jogamos futebol, mas em momento algum qualquer jogador foi citado.
Nenhum gol foi comemorado com gritos de “Sóóóócrates”, “Ziiiiiiico” ou “Falcãããão”. Nenhuma defesa foi alardeada ao som de “Valdiiiiiiiirrr Peres”. Foi só um jogo sem vida, sem vibração e que no final acabou com todos cabisbaixos.
Realmente a seleção naquele dia acabou com nossos sonhos e com nosso futebol no campinho de terra onde hoje é a rodoviária municipal.
Mas como sempre, só até o próximo jogo.
CAPITULO III – PAULISTAS DE 82 E 83
Pra curar a dor da perda da Copa, só mesmo com o Corinthians sendo campeão paulista em cima do São Paulo.
Com o Morumbi lotado e o timão com aquela camisa listrada de preto e branco que eu tanto adoro. Realmente aquela camisa usada na final de 82 é simplesmente linda.
O Corinthians era uma verdadeira máquina, com Sócrates, Casagrande, Vladimir, Zenon e outros, mas coube a Biro-Biro fazer um gol por entre as pernas de Valdir Peres, sim, ele mesmo, o frangueiro da Copa de 82.
Delírio total e muita festa, pois foi um título merecido, diante de nosso segundo maior rival, com o Morumbi lotadaço.
Quando eu digo segundo maior rival, é porque todo corinthiano já nasce sabendo que o maior rival é o Palmeiras, independente da fase atravessada pelas equipes.
Mas também é muito bom ganhar do São Paulo.
No ano de 1982, mais precisamente no dia 02 de abril, nossos vizinhos Argentinos tiveram a infeliz idéia de invadir as Ilhas Malvinas, desencadeando uma Guerra com a Grã Bratanha, uma vez que a ilha era e é até hoje controlada pelos britânicos, fazendo parte de seu território, apesar da proximidade com a Argentina e de ficar a milhares de quilômetros de Londres.
Portanto, além de ser derrotada pelo Brasil na Copa do Mundo, a Argentina amargou uma fragorosa derrota no campo militar, abandonando as Ilhas Malvinas de forma vexatória.
Mas o ano de 1982 marcou o início da redemocratização do Brasil, através da realização de Eleições Diretas gerais, com exceção do cargo de Presidente da República.
No cenário mundial aos poucos começa a ruir o Império Comunista capitaneado pela União Soviética, com os primeiros sopros de resistência por trás da “Cortina de Ferro”.
Em 1983, repetimos a dose, ou seja, novamente fomos campeões paulista em cima do São Paulo e com o Morumbi lotado.
Mas naquela noite de quarta-feira, não foi um passeio como no ano anterior, foi sofrido.
O jogo foi amarrado e o corinthians jogava pelo empate.
Quando o Zenon deixou de calcanhar aquela bola pro Sócrates arrematar pro gol, parecia que a vitória e o título estavam sacramentados.
Mas um tal de Marcão ainda empatou para o São Paulo já no apagar das luzes.
Porém, quando a bola saiu do meio-campo e o São Paulo a retomou, ali deu um frio na espinha.
Contudo, o jogo já estava se encerrando e o São Paulo não teve mas nenhuma chance de gol. Final 1x1 e o timão sagrou-se bi-campeão paulista, e o São Paulo bi-vice.
CAPITULO IV – A PRIMEIRA GRANDE DERROTA DO TIMÃO
Em 1984 o Campeonato Paulista pela primeira vez foi disputado em pontos corridos, e quis o destino que Santos e Corinthians, 1.º e 2.º colocados respectivamente, se enfrentassem na última rodada do campeonato.
O Santos estava um ponto na frente nossa, e isso lhe dava o direito de jogar pelo empate.
O Corinthians havia perdido vários jogadores, e o time já não era tão sólido quanto nos anos anteriores, mas mesmo assim chegou com força na reta final.
Dunga, isso mesmo, o Dunga da seleção, ainda jovem e em inicio de carreira, era o volante do timão naquela ocasião.
O time do Santos não ganhava nada desde 1978, e veio para aquela final disposto a tudo, inclusive deitar a pancadaria para cima dos jogadores corinthianos. Dema, um dos principais jogadores santistas, afirmou antes da partida que se não vencessem na bola, venceriam no braço.
Foi um jogo bastante violento, em que o Corinthians, precisando da vitória, não conseguiu sair da forte marcação santista, e acabou tomando um gol do Serginho Chulapa, que decretou o fim do sonho do tri campeonato.
Era a primeira vez, aos 12 anos de idade, que eu via meu time perder uma final de campeonato e foi muito sofrido sem dúvida nenhuma.
Ali eu aprendi o que significa derrota.
Por falar em derrota, no ano de 1984, iniciou-se no Brasil o Movimento das Diretas Já, que acabou não prevalecendo, para frustração da população, sendo realizadas eleições indiretas. Porém, acabou vencendo Tancredo Neves, que era de fato o preferido da população brasileira.
Aqui meu Corinthians mais uma vez me encheu de orgulho, uma vez que em plena ditadura os atletas iniciaram o movimento denominado "Democracia Corinthiana" e lutaram pela volta da democracia ao país.
A represa de Itaipu foi concluída, sendo até hoje a maior Usina Hidrelétrica do Mundo
CAPITULO V – O PODER DA REAÇÃO
Em 1987 meu time de futebol me ensinou o poder da reação.
O Corinthians terminou o primeiro turno do campeonato Paulista em último lugar e no segundo turno, em uma arrancada sensacional, terminando invicto, classificou-se para as semi-finais, contra o Santos.
No confronto contra o Santos o Timão atropelou por 5x1, classificando-se para a grande final contra o São Paulo.
O Corinthians acabou perdendo aquela final por 2 a 0, mas saiu ovacionado de campo, tendo a torcida valorizado a bela campanha e a redenção no segundo turno.
Nesse ano, em 26 de abril de 1987 aconteceu um acidente com a Usina Nuclear de Chernobil na Ucrânia, ocasionando a morte de 4.000 pessoas.
A Ucrânia, naquela época fazia parte da União Soviética, e alertou o mundo para os perigos da energia nuclear e de sua utilização em armas nucleares.
CAPITULO VI – O PRIMEIRO BRASILEIRÃO
Era um domingo de sol, 16 de Dezembro de 1990, e o Estádio do Morumbi em São Paulo recebia um público de mais de 100.000 torcedores, a maioria corinthianos com certeza.
O Timão buscava seu primeiro título do Campeonato Brasileiro.
Era um time limitado, mas que contava com a genialidade do craque Neto, o chamado “Xodó da Fiel”.
O Timão se classificou entre os oito na última vaga, na chamada “bacia das almas”, e enfrentou times considerados mais qualificados como Atlético Minieiro e Bahia até chegar a final contra o São Paulo.
No primeiro jogo, na quinta-feira, o Corinthians venceu por 1 a 0, com um gol de joelho de Wilson Mano e jogava pelo empate no domingo.
Eu me encontrava em Sengés, aguardando a hora do jogo, quando por volta das 13 horas ( o jogo era as 16 horas) houve interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Não pensei duas vezes, corri para a rodoviária e peguei um ônibus com destino a Itararé para ver o jogo na casa de um tio são paulino.
No final, gol de tupãzinho, o “Talismã”, e o Corinthians venceu por um a zero e faturou o primeiro caneco do Campeonato Brasileiro.
Em 1988 foi promulgada a Constituição Federal da Repíblica Federativa do Brasil, chamada Constituição Cidadã, que trouxe, independentemente das críticas, grandes avanços sociais que eram sentidas no ano de 1990, com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código do Consumidor, entre outras várias leis, impensáveis no período de Ditadura Militar.
Em 1989 caiu o muro de Berlim, que separava a Alemanha em duas, Oriental Comunista e Ocidental Capitalista, sendo que em 1990 houve a reunificação, prevalecendo a política capitalista. Após a queda do muro várias outros países da chamada “Cortina de Ferro” derrubaram o sistema Comunista, iniciando a onda de redemocratização do Leste Europeu.
Devo admitir que sempre tive mais simpatia pela União Soviética que pelos Estados Unidos e acho que o socialismo e Marx foram muito injustiçados.
Acredito que se Trotski tivesse sucedido Lênin, no lugar de Stalin, talvez a história seria muito diferente.
No Brasil o ano de 1990 foi marcado pelo Impeachment de Fernando Collor de Melo, primeiro presidente eleito pelo voto direto após o período de Ditadura Militar, acusado de corrupução. A juventude foi pra rua com as caras pintadas pedir a queda do presidente Collor, que acabou derrubado pelo Congresso, num momento histórico para o Brasil, que teve pela primeira vez um presidente deposto devido a manifestações populares.
Em 1989, aos 17 anos de idade, eu votei pela primeira vez, e não foi no Collor, razão pela qual fiz coro pela derrubada do então presidente, tendo consciência hoje que ele caiu por questões políticas e falta de apoio no Congresso e não por motivos de corrupção.
CAPITULO VII – A MAQUINA ALVINEGRA
Em 1998 e 1999 o Corinthians se sagrou bi campeão brasileiro, vencendo equipes mineiras em ambos os campeonatos, o Cruzeiro em 98 e o Atlético em 99.
O Timão tinha uma verdadeira máquina de jogar futebol, contando com Marcelinho, Ricardinho, Rincon, Vampeta, Edílson, Luizão, Dida, Gamarra, entre outros e os títulos vieram com bastante tranqüilidade, uma vez que o Timão liderou ambos os campeonatos de ponta e ponta.
O título de 1999 deu ao Corinthians o direito de disputar no ano seguinte o 1.º Mundial de Clubes da FIFA, como representante do país sede, uma vez que o Mundial seria disputado no Brasil, com representantes de todos os continentes, inclusive do Vasco, na época campeão sul americano.
O Corinthians caiu no grupo do todo poderoso Real Madri, com quem empatou por 2 a 2, em jogo inesquecível, classificando-se no saldo de gols.
A final foi contra o Vasco no Maracanã lotado, e após empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, o jogo foi para os pênaltis.
Após muito sofrimento, Edmundo bateu o último pênalti do Vasco pra fora e o Coringão se sagrou Campeão Mundial de Clubes da FIFA.
Durante esses três títulos eu enfrentava a fase mais difícil da minha vida, me equilibrando entre a faculdade (1998-2002) e o trabalho, uma vez que viajava 400 km entre ida e volta diariamente, pois estudava na longínqua cidade de Itapetininga/SP, saindo de ônibus da cidade de Itararé as 17 horas e retornava as 2 da manhã do dia seguinte.
Foi uma fase difícil e marcante da minha vida, em que o futebol certamente foi deixado de lado como nunca anteriormente.
Mesmo assim, sempre dava pra saber pelo menos os resultados e ver os gols to timão, acompanhando os jogos decisivos.
Penso que todo governo deve pensar como o atual, possibilitando aos mais carentes estudar em universidades particulares, diante da escassez de universidades públicas.
Com efeito, se naquele tempo tivesse ProUni eu com certeza teria me dedicado aos estudos com mais afinco. Mas o que existia era um financiamento estudantil com juros bancários e burocracia absurda, com necessidade de fiador e outras exigências.
Aqui falou minha veia socialista, contra o neo liberalismo que imperou no Brasil desde a fim da ditadura até a posse de um homem do povo em 2003.
CAPITULO VIII – O FENOMENO
Para encerrar, já no ano de 2009 chega o maior artilheiro de todas as copas para jogar no Corinthians.
Foi uma jogada de marketing fantástica, alavancando o Corinthians no cenário mundial e sanando os sérios problemas financeiros ocasionados por uma ditadura na direção do clube e por negócios escusos até hoje não esclarecidos.
E logo no primeiro semestre de 1999 o Fenômeno foi decisivo nas conquistas do Campeonato Paulista sobre o Santos e da Copa do Brasil sobre o Internacional de Porto Alegre.
Problemas físicos e com o peso fizeram com que seu rendimento não fosse o mesmo no ano de 2010, e com que encerrasse a carreira já no início de 2011.
O maior centroavante que eu vi jogar encerrou a carreira, e se declarou corinthiano, para orgulho de toda a nação alvinegra.
O Brasil, depois de ver um metalúrgico, um sindicalista, um homem que saiu de pau-de-arara de Pernambuco com destino a São Paulo, fazer um governo de prosperidade, agora vê a primeira mulher presidenta da República.
Sem dúvida, um homem do povo e depois a primeira mulher, significam um marco histórico na História do Brasil, fato que talvez somente daqui a alguns anos tenhamos noção da dimensão.
CAPITULO IX – CONCLUSÃO
De fato, toda a explanação relacionada ao futebol serve como um pano de fundo pra que a gente possa entender as angústias e aflições inerentes a cada faixa etária.
Sempre o que acontece na vida da gente encontra-se inserida em um contexto histórico, seja pelo momento político vivido pelo país, seja por descobertas e avanços tecnológicos.
E o futebol é absolutamente social, é a alegria do povo, não raras vezes sendo até utilizado por políticos como meio de promoção.
Aprendi a gostar do futebol desde cedo, sendo óbvia a diminuição do fanatismo na medida em que aprendemos mais sobre política, religião e cultura.
Por fim, essa é a minha história de amor com meu Corinthians e com o meu Brasil.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Tabela Internacional de Graduação de Macho
1 - ESPORTES
a.. Futebol, automobilismo, esportes radicais = MACHO
b.. Boliche, voleibol = TENDÊNCIAS GAYS
c.. Aeróbica, spinning = GAY
d.. Patinação no Gelo, Ginástica Olímpica = BICHONA
e.. Os mesmos anteriores, usando short de lycra = BICHONA LOUCA
2 - COMIDAS
a.. Capivara, javali, comida muito apimentada = CONAN
b.. Churrasco, Massas, Frituras = MACHO
c.. Peixe e salada = FRESCO
d.. Sanduíches integrais = GAY
e.. Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor = BICHA ASSUMIDA
3 - BEBIDAS
a.. Cachaça, cerveja, whisky = MACHO
b.. Vinho, vodka = HOMEM
c.. Caipifruta = GAY
d.. Suco de frutas normais e licores doces = MUITO GAY
e.. Suco de açaí, carambola, cupuaçu, com adoçante = PERDIDAMENTE GAY
4 - HIGIENE
a.. Toma banho rápido, usa sabão em barra = LEGIONÁRIO
b.. Toma banho rápido, usa xampu e esquece das orelhas ou do pescoço = MACHO
c.. Toma banho sem pressa e curte a água = HOMEM
d.. Demora mais de meia hora e usa sabonete líquido = TENDÊNCIAS GAYS PREOCUPANTES
e.. Toma banho com sais e espuma na banheira = VIADAÇO SEM CURA
5 - CERVEJA
a.. Gelada e em grandes quantidades = DESTROÇADOR
b.. Só cervejas extra, premium e importadas = HOMEM FINO DEMAIS
c.. Só uma às vezes para matar a sede = BICHICE SOB CONTROLE
d.. Com limão e guardanapo em volta do copo = BICHA
e.. Sem álcool = GAZELA SALTITANTE
6 - PRESENTES QUE GOSTA DE GANHAR
a.. Ferramentas = OGRO
b.. Garrafa de whisky = MACHO
c.. Eletrônicos, informática, roupas de homem = HOMEM MODERNO
d.. Flores = VIADO
e.. Velas aromáticas, perfumes,doces caramelados, bombons = DONZELA VIRGEM
7 - CREMES
a.. Só creme dental = GORILA
b.. Protetor solar só na praia e piscina = HOMEM MODERNO
c.. Usa cremes no verão = BICHA FRESCA
d.. Usa cremes o ano todo = BICHONA TOTAL
e.. Não vive sem hidratante = CONSTA NA FILA DE ESPERA DA OPERAÇÃO PRA TROCA DE SEXO
8 - ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
a.. Só dinossauros =BRUTO
b.. Tem um vira-lata que come restos da comida = HOMEM
C.. Tem cão de raça que só vive dentro de casa e come ração especial = BICHA
d.. O cão de raça dorme na sua própria cama = BICHONA TOTAL
e.. Prefere gatos = TOTALMENTE PASSIVA
9 - PLANTAS
a.. Nem pra comer = TROGLODITA
b.. Come algumas de vez em quando = RAMBO
c.. Tem umas no quintal, mas nem são regadas = HOMEM
d.. Tem plantinhas na varanda do apartamento = VIADO
e.. Rega, poda e conversa com as flores do jardim = BICHONA PERDIDA
10 - RELAÇÃO COM ESPELHO
a.. Não usa = VIKING
b.. Usa para fazer barba = MACHO
c.. Admira sua pele e observa seus músculos = GAY
d.. Idem c, e ainda analisa a bunda = LOUCA
e.. Admira-se com diferentes camisas e penteados = TRAVECO
11 - PENTEADO
a.. Não se penteia ou rapa tudo = SELVAGEM
b.. Só se penteia pra sair à noite = HOMEM
c.. Penteia-se várias vezes ao dia = FRESCO
d.. Pinta o cabelo = BICHONA TOTAL
e.. Dá conselhos de penteados = BELA ADORMECIDA
a.. Futebol, automobilismo, esportes radicais = MACHO
b.. Boliche, voleibol = TENDÊNCIAS GAYS
c.. Aeróbica, spinning = GAY
d.. Patinação no Gelo, Ginástica Olímpica = BICHONA
e.. Os mesmos anteriores, usando short de lycra = BICHONA LOUCA
2 - COMIDAS
a.. Capivara, javali, comida muito apimentada = CONAN
b.. Churrasco, Massas, Frituras = MACHO
c.. Peixe e salada = FRESCO
d.. Sanduíches integrais = GAY
e.. Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor = BICHA ASSUMIDA
3 - BEBIDAS
a.. Cachaça, cerveja, whisky = MACHO
b.. Vinho, vodka = HOMEM
c.. Caipifruta = GAY
d.. Suco de frutas normais e licores doces = MUITO GAY
e.. Suco de açaí, carambola, cupuaçu, com adoçante = PERDIDAMENTE GAY
4 - HIGIENE
a.. Toma banho rápido, usa sabão em barra = LEGIONÁRIO
b.. Toma banho rápido, usa xampu e esquece das orelhas ou do pescoço = MACHO
c.. Toma banho sem pressa e curte a água = HOMEM
d.. Demora mais de meia hora e usa sabonete líquido = TENDÊNCIAS GAYS PREOCUPANTES
e.. Toma banho com sais e espuma na banheira = VIADAÇO SEM CURA
5 - CERVEJA
a.. Gelada e em grandes quantidades = DESTROÇADOR
b.. Só cervejas extra, premium e importadas = HOMEM FINO DEMAIS
c.. Só uma às vezes para matar a sede = BICHICE SOB CONTROLE
d.. Com limão e guardanapo em volta do copo = BICHA
e.. Sem álcool = GAZELA SALTITANTE
6 - PRESENTES QUE GOSTA DE GANHAR
a.. Ferramentas = OGRO
b.. Garrafa de whisky = MACHO
c.. Eletrônicos, informática, roupas de homem = HOMEM MODERNO
d.. Flores = VIADO
e.. Velas aromáticas, perfumes,doces caramelados, bombons = DONZELA VIRGEM
7 - CREMES
a.. Só creme dental = GORILA
b.. Protetor solar só na praia e piscina = HOMEM MODERNO
c.. Usa cremes no verão = BICHA FRESCA
d.. Usa cremes o ano todo = BICHONA TOTAL
e.. Não vive sem hidratante = CONSTA NA FILA DE ESPERA DA OPERAÇÃO PRA TROCA DE SEXO
8 - ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
a.. Só dinossauros =BRUTO
b.. Tem um vira-lata que come restos da comida = HOMEM
C.. Tem cão de raça que só vive dentro de casa e come ração especial = BICHA
d.. O cão de raça dorme na sua própria cama = BICHONA TOTAL
e.. Prefere gatos = TOTALMENTE PASSIVA
9 - PLANTAS
a.. Nem pra comer = TROGLODITA
b.. Come algumas de vez em quando = RAMBO
c.. Tem umas no quintal, mas nem são regadas = HOMEM
d.. Tem plantinhas na varanda do apartamento = VIADO
e.. Rega, poda e conversa com as flores do jardim = BICHONA PERDIDA
10 - RELAÇÃO COM ESPELHO
a.. Não usa = VIKING
b.. Usa para fazer barba = MACHO
c.. Admira sua pele e observa seus músculos = GAY
d.. Idem c, e ainda analisa a bunda = LOUCA
e.. Admira-se com diferentes camisas e penteados = TRAVECO
11 - PENTEADO
a.. Não se penteia ou rapa tudo = SELVAGEM
b.. Só se penteia pra sair à noite = HOMEM
c.. Penteia-se várias vezes ao dia = FRESCO
d.. Pinta o cabelo = BICHONA TOTAL
e.. Dá conselhos de penteados = BELA ADORMECIDA
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
DE ONDE VEM?
De onde virá toda a beleza e exuberância que encontramos na natureza, nos mais escondidos detalhes de nosso planeta.
Parece inconcebível creditar todas as mais variadas formas de vida a um evento digamos "explosivo", quando nos é colocado diante dos olhos uma obra evidentemente criacionista.
O mais engraçado é que se a teoria do Big Bang fala em uma explosão que a zilhões de anos atrás teria criado nosso planeta, então eu pergunto: O que teria originado a explosão? E antes da explosão, quem criou as substâncias que geraram a tão propalada explosão?
Realmente Deus encontra-se em cada detalhe, em cada ser vivo, em cada paisagem, sendo que sua assinatura só não é observada por quem efetivamente não quer enxergar, prefere não aceitar sua condição inferior.
Observando o mar e sua imensidão, as florestas majestosas e imponentes, os rios que serpenteiam por planícies e montanhas, a neve que cobre os picos mais elevados, o sol que brilha e aquece a terra ou a Lua que encanta no céu, rodeada de estrelas, realmente não há como não ressaltar a existência de um Criador.
Toda a exuberância da criação não se encaixa nas teorias mirabolantes que insistem em negar o óbvio, simplesmente porque qualquer teoria que refute a criação carece de subsídios, enquanto que para quem crê fielmente na criação basta olhar ao redor e se regojizar a agradecer por cada detalhe da criação Divina.
O fato é que a Terra foi criada por Deus e nós fomos concebidos como sendo a obra-prima da criação.
Portanto, sejamos menos egoístas e gananciosos e façamos jus ao que nos foi dado por Deus, ou seja, não frustremos as expectativas em nós depositadas, uma vez que a humanidade, quando olhada de forma geral, vem repetidamente agindo de forma a não ser merecedora de tudo o que lhe foi concebido por Deus.
Somente quando sabemos de onde viemos podemos planejar nosso futuro e confiar na promessa Divina, tendo a certeza de nosso destino após a breve passagem pela Terra.
Tudo vem de Deus!
Parece inconcebível creditar todas as mais variadas formas de vida a um evento digamos "explosivo", quando nos é colocado diante dos olhos uma obra evidentemente criacionista.
O mais engraçado é que se a teoria do Big Bang fala em uma explosão que a zilhões de anos atrás teria criado nosso planeta, então eu pergunto: O que teria originado a explosão? E antes da explosão, quem criou as substâncias que geraram a tão propalada explosão?
Realmente Deus encontra-se em cada detalhe, em cada ser vivo, em cada paisagem, sendo que sua assinatura só não é observada por quem efetivamente não quer enxergar, prefere não aceitar sua condição inferior.
Observando o mar e sua imensidão, as florestas majestosas e imponentes, os rios que serpenteiam por planícies e montanhas, a neve que cobre os picos mais elevados, o sol que brilha e aquece a terra ou a Lua que encanta no céu, rodeada de estrelas, realmente não há como não ressaltar a existência de um Criador.
Toda a exuberância da criação não se encaixa nas teorias mirabolantes que insistem em negar o óbvio, simplesmente porque qualquer teoria que refute a criação carece de subsídios, enquanto que para quem crê fielmente na criação basta olhar ao redor e se regojizar a agradecer por cada detalhe da criação Divina.
O fato é que a Terra foi criada por Deus e nós fomos concebidos como sendo a obra-prima da criação.
Portanto, sejamos menos egoístas e gananciosos e façamos jus ao que nos foi dado por Deus, ou seja, não frustremos as expectativas em nós depositadas, uma vez que a humanidade, quando olhada de forma geral, vem repetidamente agindo de forma a não ser merecedora de tudo o que lhe foi concebido por Deus.
Somente quando sabemos de onde viemos podemos planejar nosso futuro e confiar na promessa Divina, tendo a certeza de nosso destino após a breve passagem pela Terra.
Tudo vem de Deus!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A Humildade de José Alencar
A HUMILDADE DE JOSÉ DE ALENCAR...
1. *Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico, sua doença é incurável?
JA - Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente,
pois sempre pedi para estar plenamente informado.
A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar.
Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente
quando me refiro à doença em público. Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem, público com cargo eletivo, não se pertence.
2.*O senhor costuma usar o futebol como metáfora para explicar a sua luta contra a doença. Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0. De outra, que estava empatado. E, agora, qual é o placar?
JA - Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais
passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado
para viver o momento mais prazeroso de uma partida:
vibrar quando faço um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.
3.*Como a doença alterou a sua rotina?
JA - Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que "o trem está bom ou ruim". O trem está ficando feio para o meu lado. Minha vida começou a mudar nos últimos meses. Ando cansado. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. Ando um pouco e já me canso. Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas), herança da última cirurgia, em julho.
Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente.
O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever.
Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza e Jaciara (enfermeira da Presidência da República)
para me auxiliarem com a colostomia. Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, Márcio e Dirceu.
Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro,
chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto.
Sem drama nenhum.
4.*O senhor não passa por momentos de angústia?
JA - Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia. Eu lhe responderia o seguinte: desconheço esse sentimento. Nunca tive isso. Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.
5.O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?
JA - A doença me ensinou a ser mais humilde. Especialmente, depois da colostomia. A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade.
E Ele tem sido generoso comigo. Eu precisava disso em minha vida. Sempre fui um atrevido. Se não o fosse, não teria construído o que construí e não teria entrado na política.
6. É penoso para o senhor praticar a humildade?
JA - Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo de outras pessoas para executar tarefas básicas. Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações. Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas muito mais elevadas do que eu, como os profissionais de saúde que cuidam de mim. Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel Srougi quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem anônimos que me assistem. Cheguei à conclusão de que o que eu faço profissionalmente tem menos importância do que o que eles fazem. Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto sobre o próximo. Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.
7.Essa sua consideração não seria uma forma de se preparar para a morte?
JA - Provavelmente, sim. Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração:
"Livrai-nos da morte repentina".
O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.
8.O senhor tem medo da morte?
JA - Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio.
Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena, até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.
9.Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?
JA - Abraçaria minha esposa, Mariza e diria:
"Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".
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1. *Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico, sua doença é incurável?
JA - Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente,
pois sempre pedi para estar plenamente informado.
A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar.
Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente
quando me refiro à doença em público. Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem, público com cargo eletivo, não se pertence.
2.*O senhor costuma usar o futebol como metáfora para explicar a sua luta contra a doença. Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0. De outra, que estava empatado. E, agora, qual é o placar?
JA - Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais
passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado
para viver o momento mais prazeroso de uma partida:
vibrar quando faço um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.
3.*Como a doença alterou a sua rotina?
JA - Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que "o trem está bom ou ruim". O trem está ficando feio para o meu lado. Minha vida começou a mudar nos últimos meses. Ando cansado. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. Ando um pouco e já me canso. Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas), herança da última cirurgia, em julho.
Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente.
O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever.
Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza e Jaciara (enfermeira da Presidência da República)
para me auxiliarem com a colostomia. Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, Márcio e Dirceu.
Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro,
chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto.
Sem drama nenhum.
4.*O senhor não passa por momentos de angústia?
JA - Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia. Eu lhe responderia o seguinte: desconheço esse sentimento. Nunca tive isso. Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.
5.O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?
JA - A doença me ensinou a ser mais humilde. Especialmente, depois da colostomia. A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade.
E Ele tem sido generoso comigo. Eu precisava disso em minha vida. Sempre fui um atrevido. Se não o fosse, não teria construído o que construí e não teria entrado na política.
6. É penoso para o senhor praticar a humildade?
JA - Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo de outras pessoas para executar tarefas básicas. Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações. Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas muito mais elevadas do que eu, como os profissionais de saúde que cuidam de mim. Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel Srougi quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem anônimos que me assistem. Cheguei à conclusão de que o que eu faço profissionalmente tem menos importância do que o que eles fazem. Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto sobre o próximo. Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.
7.Essa sua consideração não seria uma forma de se preparar para a morte?
JA - Provavelmente, sim. Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração:
"Livrai-nos da morte repentina".
O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.
8.O senhor tem medo da morte?
JA - Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio.
Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena, até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.
9.Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?
JA - Abraçaria minha esposa, Mariza e diria:
"Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".
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