sábado, 30 de julho de 2011

Márcio e Corinthians

UM AUTO RETRATO SÓCIO-HISTÓRICO

CAPÍTULO I – PAULISTA DE 1977

Realmente o futebol é marcante na vida da gente, e com certeza ilustra várias passagens de nossa existência.
Minha família é corinthiana e eu obviamente também sou, só que aquele dia 13 de outubro de 1977 marcou muito.
Acho que eu seria corinthiano de qualquer forma, mas aquela final contra a Ponte Preta certamente fortaleceu minha convicção e aguçou minha paixão.
Eu tinha apenas 5 anos de idade e não lembro dos jogos, das partidas em si, mas lembro muito bem da apreensão de meu pai, dos meus tios e de todos a minha volta.
Ainda hoje me recordo da euforia da quarta-feira anterior, assim como da decepção e do desespero do domingo que antecedeu aquela quinta-feira de epopéia pura.

Aqui devo abrir um parênteses para explicar que o Timão venceu a primeira partida da final, mas perdeu a segunda partida em um dia em que o Morumbi bateu seu recorde absoluto de público, até hoje imbatível, gerando a necessidade de um terceiro e decisivo jogo.
O fato é que eu começava ali a entender o corinthianismo, e quando o Basílio fez o gol, já aos 37 munutos do segundo tempo, a única coisa que eu me lembro era da histeria coletiva.
Eu ainda não compreendia completamente o significado de tudo aquilo, mas como era bom sair com minha camisa listrada de preto e branco e uma tolha costurada no cabo de vassoura, e ver de dentro do alfa romeo do meu tio toda festa que se instalou na cidade de Itararé naquele dia.
Foi sem dúvida nenhuma uma noite inesquecível.
Na seqüência vieram os de títulos, 79, 82, 83 e daí pra frente, mas sem dúvida para qualquer corinthiano que tenha vivido 1977, certamente não há vitória mais emblemática que aquela. Foi o dia da redenção.
Naquele ano de 1977 o Brasil vivia sob uma truculenta Ditadura Militar, que reprimia manifestações e o futebol certamente era a válvula de escape da população.
Ali passou a ser chamado de “ópio” do povo.
O ano de 1977 foi marcante, uma vez que a Ordem dos Advogados do Brasil rompeu um silêncio constrangedor no tocante aos desmandos do governo militar, uma vez tratar-se de uma instituição que deveria pautar-se pelos direitos civis. Mas enfim, juntou-se a teólogos, parte da Igreja, e da classe média na luta contra o Regime Militar.
Como advogado militante não posso deixar de citar essa passagem, devido a sua grande importância na luta contra o Regime Militar e pela redemocratização do Brasil.



CAPITULO II – COPA DE 1982

Era dia 14 de junho de 1982, em Sevilha na Espanha, e a molecada respirava futebol. Sinceramente não vi até hoje Copa do Mundo como aquela.
O Brasil estreava na copa contra a União Soviética do super goleiro Dasaev.
Durante os dias que antecederam a copa, só se falava em futebol, mesmo porque era dado como barbada a vitória da seleção canarinho.
Difícil de esquecer que alguns dias antes meu amigo Marcelo apareceu com o álbum de figurinhas quase completo, com encartes dificílimos de se conseguir, como Falcão e o polonês Boniek.
Para minha infelicidade a professora resolveu tomar as figurinhas do Marcelo justo no momento que eu estava vendo, ou seja, tomou das minhas mãos, me deixando desorientado, sob o olhar furioso e cortante do proprietário das figurinhas.
Passei alguns dias correndo dele pra não apanhar, lembrando que ele era repetente na 3.ª série e quase três anos mais velho que eu.
Mais uma vez o período histórico e o regime ditatorial influenciam o comportamento da sociedade, aqui nesse caso, através de professores notadamente repressores.
Mas eis que chega o dia da estréia do Brasil, os times perfilados, o Hino Nacional tocando, depois o da União Soviética, cujo uniforme vinha com aquelas letras garrafais “UCCP” no peito. Hoje sei o que aquela sigla significava.
Assim que o juiz apita e a bola rola minha mãe, no ápice da crueldade grita: “Márcio, vai na venda comprar cebola pra mim”, ao que eu respondi: “Já vou” e continuei vidrado na TV.
O tapa no “pé do ouvido” veio quente. “Eu disse agora, pra ontem”.
Sem dúvida que o período truculento vivido pelo país era refletido dentro de casa, apesar de que eu considero ter sido bem educado, sempre aprendendo a respeitar a autoridade dos pais, ainda que tenha me feito de surdo quando mamãe pediu as cebolas.
Saí voando de casa, não com raiva do tapa, mas com a hora em que ela resolve me mandar comprar cebolas.
Quando voltei já estava um a zero pra União Soviética, um frangaço do Valdir Peres, que só fui ver mais tarde.
O jogo era difícil e o juizão dava uma mão para o Brasil, ao deixar de marcar um pênalti claro em favor dos soviéticos.
Mas o Brasil tinha jogadores maravilhosos e já no fim do jogo virou com dois golaços, o primeiro de Eder e o segundo de Sócrates, o Doutor, nossa seleção conseguiu a virada.
Final de jogo e o Brasil venceu na estréia, era isso que importava. E fomos pro campinho da CESP jogar futebol e narrar nossos gols como se fossemos os jogadores da seleção, a melhor que já vi jogar.
Importante ressaltar o contexto histórico de se enfrentar a União Soviética naquela época.
No mundo pós segunda guerra, formaram-se dois blocos, um comunista, controlado pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, e outro capitalista, controlado pelos Estados Unidos da América.
O Brasil, até por conta da Ditadura Militar ter sido instituída sob o argumento de evitar que o comunismo se instalasse no Brasil com a posse de João Goulart, era fortemente ligado aos EUA.
Com isso tínhamos naquela época, de forma errônea, creio eu, a impressão de que os “vermelhos” eram na verdade inimigos e não simples adversários esportivos.
A copa prosseguiu e na primeira fase vitórias fáceis sobre Escócia e Nova Zelância e a certeza de que venceríamos aquela copa sem maiores dificuldades.
Demos o troco na Argentina que tinha nos tirado da copa anterior, vencendo com facilidade por 3x1.
Teríamos uma Itália fragilizada pela frente, um time que não colocava medo em ninguém.
De fato, ninguém em sã consciência poderia imaginar um placar que não fosse a vitória e classificação brasileira. E o Brasil ainda jogava pelo empate.
Mas como o futebol é o mais apaixonante dos esportes exatamente pela imprevisibilidade, deu Itália 3x2, em um jogo pra ser dissecado, na expectativa de encontrar alguma explicação.
De fato, naquele dia 5 de julho de 1982. Uma tarde de segunda-feira, na cidade de Barcelona, Copa do Mundo da Espanha de Futebol, uma página triste da história do futebol brasileiro foi escrita, e assinada pelo carrasco Paolo Rossi, autor dos três gols da Itália.
Naquela tarde, eu estava em Sengés, na casa dos meus avós, e o campinho de futebol, que sempre fervilhava após os jogos da copa, estava silencioso.
Óbvio que jogamos futebol, mas em momento algum qualquer jogador foi citado.
Nenhum gol foi comemorado com gritos de “Sóóóócrates”, “Ziiiiiiico” ou “Falcãããão”. Nenhuma defesa foi alardeada ao som de “Valdiiiiiiiirrr Peres”. Foi só um jogo sem vida, sem vibração e que no final acabou com todos cabisbaixos.
Realmente a seleção naquele dia acabou com nossos sonhos e com nosso futebol no campinho de terra onde hoje é a rodoviária municipal.
Mas como sempre, só até o próximo jogo.

CAPITULO III – PAULISTAS DE 82 E 83

Pra curar a dor da perda da Copa, só mesmo com o Corinthians sendo campeão paulista em cima do São Paulo.
Com o Morumbi lotado e o timão com aquela camisa listrada de preto e branco que eu tanto adoro. Realmente aquela camisa usada na final de 82 é simplesmente linda.
O Corinthians era uma verdadeira máquina, com Sócrates, Casagrande, Vladimir, Zenon e outros, mas coube a Biro-Biro fazer um gol por entre as pernas de Valdir Peres, sim, ele mesmo, o frangueiro da Copa de 82.
Delírio total e muita festa, pois foi um título merecido, diante de nosso segundo maior rival, com o Morumbi lotadaço.
Quando eu digo segundo maior rival, é porque todo corinthiano já nasce sabendo que o maior rival é o Palmeiras, independente da fase atravessada pelas equipes.
Mas também é muito bom ganhar do São Paulo.
No ano de 1982, mais precisamente no dia 02 de abril, nossos vizinhos Argentinos tiveram a infeliz idéia de invadir as Ilhas Malvinas, desencadeando uma Guerra com a Grã Bratanha, uma vez que a ilha era e é até hoje controlada pelos britânicos, fazendo parte de seu território, apesar da proximidade com a Argentina e de ficar a milhares de quilômetros de Londres.
Portanto, além de ser derrotada pelo Brasil na Copa do Mundo, a Argentina amargou uma fragorosa derrota no campo militar, abandonando as Ilhas Malvinas de forma vexatória.
Mas o ano de 1982 marcou o início da redemocratização do Brasil, através da realização de Eleições Diretas gerais, com exceção do cargo de Presidente da República.
No cenário mundial aos poucos começa a ruir o Império Comunista capitaneado pela União Soviética, com os primeiros sopros de resistência por trás da “Cortina de Ferro”.
Em 1983, repetimos a dose, ou seja, novamente fomos campeões paulista em cima do São Paulo e com o Morumbi lotado.
Mas naquela noite de quarta-feira, não foi um passeio como no ano anterior, foi sofrido.
O jogo foi amarrado e o corinthians jogava pelo empate.
Quando o Zenon deixou de calcanhar aquela bola pro Sócrates arrematar pro gol, parecia que a vitória e o título estavam sacramentados.
Mas um tal de Marcão ainda empatou para o São Paulo já no apagar das luzes.
Porém, quando a bola saiu do meio-campo e o São Paulo a retomou, ali deu um frio na espinha.
Contudo, o jogo já estava se encerrando e o São Paulo não teve mas nenhuma chance de gol. Final 1x1 e o timão sagrou-se bi-campeão paulista, e o São Paulo bi-vice.

CAPITULO IV – A PRIMEIRA GRANDE DERROTA DO TIMÃO

Em 1984 o Campeonato Paulista pela primeira vez foi disputado em pontos corridos, e quis o destino que Santos e Corinthians, 1.º e 2.º colocados respectivamente, se enfrentassem na última rodada do campeonato.
O Santos estava um ponto na frente nossa, e isso lhe dava o direito de jogar pelo empate.
O Corinthians havia perdido vários jogadores, e o time já não era tão sólido quanto nos anos anteriores, mas mesmo assim chegou com força na reta final.
Dunga, isso mesmo, o Dunga da seleção, ainda jovem e em inicio de carreira, era o volante do timão naquela ocasião.
O time do Santos não ganhava nada desde 1978, e veio para aquela final disposto a tudo, inclusive deitar a pancadaria para cima dos jogadores corinthianos. Dema, um dos principais jogadores santistas, afirmou antes da partida que se não vencessem na bola, venceriam no braço.
Foi um jogo bastante violento, em que o Corinthians, precisando da vitória, não conseguiu sair da forte marcação santista, e acabou tomando um gol do Serginho Chulapa, que decretou o fim do sonho do tri campeonato.
Era a primeira vez, aos 12 anos de idade, que eu via meu time perder uma final de campeonato e foi muito sofrido sem dúvida nenhuma.
Ali eu aprendi o que significa derrota.
Por falar em derrota, no ano de 1984, iniciou-se no Brasil o Movimento das Diretas Já, que acabou não prevalecendo, para frustração da população, sendo realizadas eleições indiretas. Porém, acabou vencendo Tancredo Neves, que era de fato o preferido da população brasileira.
Aqui meu Corinthians mais uma vez me encheu de orgulho, uma vez que em plena ditadura os atletas iniciaram o movimento denominado "Democracia Corinthiana" e lutaram pela volta da democracia ao país.
A represa de Itaipu foi concluída, sendo até hoje a maior Usina Hidrelétrica do Mundo



CAPITULO V – O PODER DA REAÇÃO

Em 1987 meu time de futebol me ensinou o poder da reação.
O Corinthians terminou o primeiro turno do campeonato Paulista em último lugar e no segundo turno, em uma arrancada sensacional, terminando invicto, classificou-se para as semi-finais, contra o Santos.
No confronto contra o Santos o Timão atropelou por 5x1, classificando-se para a grande final contra o São Paulo.
O Corinthians acabou perdendo aquela final por 2 a 0, mas saiu ovacionado de campo, tendo a torcida valorizado a bela campanha e a redenção no segundo turno.
Nesse ano, em 26 de abril de 1987 aconteceu um acidente com a Usina Nuclear de Chernobil na Ucrânia, ocasionando a morte de 4.000 pessoas.
A Ucrânia, naquela época fazia parte da União Soviética, e alertou o mundo para os perigos da energia nuclear e de sua utilização em armas nucleares.

CAPITULO VI – O PRIMEIRO BRASILEIRÃO

Era um domingo de sol, 16 de Dezembro de 1990, e o Estádio do Morumbi em São Paulo recebia um público de mais de 100.000 torcedores, a maioria corinthianos com certeza.
O Timão buscava seu primeiro título do Campeonato Brasileiro.
Era um time limitado, mas que contava com a genialidade do craque Neto, o chamado “Xodó da Fiel”.
O Timão se classificou entre os oito na última vaga, na chamada “bacia das almas”, e enfrentou times considerados mais qualificados como Atlético Minieiro e Bahia até chegar a final contra o São Paulo.
No primeiro jogo, na quinta-feira, o Corinthians venceu por 1 a 0, com um gol de joelho de Wilson Mano e jogava pelo empate no domingo.
Eu me encontrava em Sengés, aguardando a hora do jogo, quando por volta das 13 horas ( o jogo era as 16 horas) houve interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Não pensei duas vezes, corri para a rodoviária e peguei um ônibus com destino a Itararé para ver o jogo na casa de um tio são paulino.
No final, gol de tupãzinho, o “Talismã”, e o Corinthians venceu por um a zero e faturou o primeiro caneco do Campeonato Brasileiro.
Em 1988 foi promulgada a Constituição Federal da Repíblica Federativa do Brasil, chamada Constituição Cidadã, que trouxe, independentemente das críticas, grandes avanços sociais que eram sentidas no ano de 1990, com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código do Consumidor, entre outras várias leis, impensáveis no período de Ditadura Militar.
Em 1989 caiu o muro de Berlim, que separava a Alemanha em duas, Oriental Comunista e Ocidental Capitalista, sendo que em 1990 houve a reunificação, prevalecendo a política capitalista. Após a queda do muro várias outros países da chamada “Cortina de Ferro” derrubaram o sistema Comunista, iniciando a onda de redemocratização do Leste Europeu.
Devo admitir que sempre tive mais simpatia pela União Soviética que pelos Estados Unidos e acho que o socialismo e Marx foram muito injustiçados.
Acredito que se Trotski tivesse sucedido Lênin, no lugar de Stalin, talvez a história seria muito diferente.
No Brasil o ano de 1990 foi marcado pelo Impeachment de Fernando Collor de Melo, primeiro presidente eleito pelo voto direto após o período de Ditadura Militar, acusado de corrupução. A juventude foi pra rua com as caras pintadas pedir a queda do presidente Collor, que acabou derrubado pelo Congresso, num momento histórico para o Brasil, que teve pela primeira vez um presidente deposto devido a manifestações populares.
Em 1989, aos 17 anos de idade, eu votei pela primeira vez, e não foi no Collor, razão pela qual fiz coro pela derrubada do então presidente, tendo consciência hoje que ele caiu por questões políticas e falta de apoio no Congresso e não por motivos de corrupção.

CAPITULO VII – A MAQUINA ALVINEGRA

Em 1998 e 1999 o Corinthians se sagrou bi campeão brasileiro, vencendo equipes mineiras em ambos os campeonatos, o Cruzeiro em 98 e o Atlético em 99.
O Timão tinha uma verdadeira máquina de jogar futebol, contando com Marcelinho, Ricardinho, Rincon, Vampeta, Edílson, Luizão, Dida, Gamarra, entre outros e os títulos vieram com bastante tranqüilidade, uma vez que o Timão liderou ambos os campeonatos de ponta e ponta.
O título de 1999 deu ao Corinthians o direito de disputar no ano seguinte o 1.º Mundial de Clubes da FIFA, como representante do país sede, uma vez que o Mundial seria disputado no Brasil, com representantes de todos os continentes, inclusive do Vasco, na época campeão sul americano.
O Corinthians caiu no grupo do todo poderoso Real Madri, com quem empatou por 2 a 2, em jogo inesquecível, classificando-se no saldo de gols.
A final foi contra o Vasco no Maracanã lotado, e após empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, o jogo foi para os pênaltis.
Após muito sofrimento, Edmundo bateu o último pênalti do Vasco pra fora e o Coringão se sagrou Campeão Mundial de Clubes da FIFA.
Durante esses três títulos eu enfrentava a fase mais difícil da minha vida, me equilibrando entre a faculdade (1998-2002) e o trabalho, uma vez que viajava 400 km entre ida e volta diariamente, pois estudava na longínqua cidade de Itapetininga/SP, saindo de ônibus da cidade de Itararé as 17 horas e retornava as 2 da manhã do dia seguinte.
Foi uma fase difícil e marcante da minha vida, em que o futebol certamente foi deixado de lado como nunca anteriormente.
Mesmo assim, sempre dava pra saber pelo menos os resultados e ver os gols to timão, acompanhando os jogos decisivos.
Penso que todo governo deve pensar como o atual, possibilitando aos mais carentes estudar em universidades particulares, diante da escassez de universidades públicas.
Com efeito, se naquele tempo tivesse ProUni eu com certeza teria me dedicado aos estudos com mais afinco. Mas o que existia era um financiamento estudantil com juros bancários e burocracia absurda, com necessidade de fiador e outras exigências.
Aqui falou minha veia socialista, contra o neo liberalismo que imperou no Brasil desde a fim da ditadura até a posse de um homem do povo em 2003.

CAPITULO VIII – O FENOMENO

Para encerrar, já no ano de 2009 chega o maior artilheiro de todas as copas para jogar no Corinthians.
Foi uma jogada de marketing fantástica, alavancando o Corinthians no cenário mundial e sanando os sérios problemas financeiros ocasionados por uma ditadura na direção do clube e por negócios escusos até hoje não esclarecidos.
E logo no primeiro semestre de 1999 o Fenômeno foi decisivo nas conquistas do Campeonato Paulista sobre o Santos e da Copa do Brasil sobre o Internacional de Porto Alegre.
Problemas físicos e com o peso fizeram com que seu rendimento não fosse o mesmo no ano de 2010, e com que encerrasse a carreira já no início de 2011.
O maior centroavante que eu vi jogar encerrou a carreira, e se declarou corinthiano, para orgulho de toda a nação alvinegra.
O Brasil, depois de ver um metalúrgico, um sindicalista, um homem que saiu de pau-de-arara de Pernambuco com destino a São Paulo, fazer um governo de prosperidade, agora vê a primeira mulher presidenta da República.
Sem dúvida, um homem do povo e depois a primeira mulher, significam um marco histórico na História do Brasil, fato que talvez somente daqui a alguns anos tenhamos noção da dimensão.

CAPITULO IX – CONCLUSÃO

De fato, toda a explanação relacionada ao futebol serve como um pano de fundo pra que a gente possa entender as angústias e aflições inerentes a cada faixa etária.
Sempre o que acontece na vida da gente encontra-se inserida em um contexto histórico, seja pelo momento político vivido pelo país, seja por descobertas e avanços tecnológicos.
E o futebol é absolutamente social, é a alegria do povo, não raras vezes sendo até utilizado por políticos como meio de promoção.
Aprendi a gostar do futebol desde cedo, sendo óbvia a diminuição do fanatismo na medida em que aprendemos mais sobre política, religião e cultura.
Por fim, essa é a minha história de amor com meu Corinthians e com o meu Brasil.

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