terça-feira, 22 de julho de 2008

O Quarto Poder

Realmente é triste a situação em que vivemos com relação à nossa imprensa. Parece que tudo o que acontece é pré julgado com uma desfaçatez simplesmente inconcebível.
Não há mais para os tablóides sensacionalistas ou para telejornais matusquelas qualquer vestígio da chamada "presunção de inocência", como se os redatores, editores e âncoras fossem os donos da verdade e sua opinião fosse um esgotamento investigativo, ou seja, ocorre com a notícia o exaurimento meritório.
Como crer em um julgamento justo para denunciados quando a imprensa já os condenou previamente e fez com que uma população insandecida, para não dizer desocupada, fizesse plantão em frente a residência dos acusados, aos brados de justiça e linxamento moral.
Obviamente que tais cidadãos, todos cumpridores de suas obrigações e leais defensores da moral e da boa conduta, somente aparecem quando câmeras de TV estão por perto, e repórteres afoitos para obter imagens do clamor popular estão presentes.
Aliás, também os nobres representantes do Ministério Público adoram a experiência midiática, uma vez que viraram pop stars e aparecem nos programas televisivos com uma freqüência assombrosa.
Me pergunto se a população questiona pelos processos atrasados, aguardando por vezes meros despachos, e que ficam paralisados enquanto nossos agentes ministeriais dão entrevistas em diversos programas e perdem horas acompanhando inquéritos que deveriam ser conduzidos pela Polícia.
Começo a crer que não passa de um mito o alardeado excesso de processo e escassez de profissionais, pois em alguns casos o Ministério Público e os Delegados de Polícia parecem tomar conta tão somente de um determinado processo, em detrimento de todos os demais.
Como se o despacho ou o parecer de algum caso sem apelo na mídia não fosse importante ou digno o bastante para merecer um pouco mais de atenção e celeridade.
Já passou do tempo de a imprensa colaborar um pouco mais para a formação do cidadão, sem mostrar tanto um mundo cão. As pessoas acabam impregnadas com o sangue e a violência que assistem, como se aquilo fosse a tônica e o fiel retrato da sociedade.
De fato, destina-se alguns minutos às boas ações e horas às tragédias, passando a clara idéia de que somente acontece desgraça em nosso país.
Espero realmente que demos um basta a essa ditadura televisiva, procurando programas onde sejamos de fato respeitados, com uma ênfase sobre a cultura e cidadania.
Um abraço a todos os leitores desse humilde desabafo e que não percamos a fé jamais.

3 comentários:

Anônimo disse...

Realmente a imprensa brasileira não está passando por um bom momento.... mas infelizmente é o retrato da grande massa de cidadãos, que adora circo, até mais que o pão. E que tenta se redimir atrás de hipocrisia e falsos moralismos.
Um pouquinho de Nietzche para essa população não seria nada mal.
Mas, quanto à imprensa, seria injusto generalizar, porque ainda existem veículos sérios, e comprometidos com a primeira e nobre missão. Graças a Deus.

Taynara disse...

Por mais dificil que seja aceitar...Essa é a nossa realidade. Pessoas só se interessam em ajudar o próximo se isso lhe trazer algum benefício para si mesmo. Mais graças a DEUS, ainda nos dias de hoje encontramos algumas raridades que se preocupam em ajudar os outros sem interesse, apenas por ajudar e fazer o próximo Feliz...

Anônimo disse...

Por certo a imprensa busca o sensacionalismo, a tragédia, o descaso para atrair a atenção do telespectador, que em sua maioria, prefere assistir este tipo de noticiário. Más notícias ocupam maior espaço na mídia, porém notícias de paz, vida, conciliação...trazem alegria a todos que procuram o bem estar comunitário.
A formação da opinião de cada indivíduo deveria partí-lo dele, porém a imprensa possui grande poder de influenciar, já que condena ou absolve antecipadamente cada caso.
E realmente é fato de que alguns casos são noticiados com maior destaque, descutidos por longos períodos de tempo...como se tantos outros não tivessem ocorridos, ou ocorrendo, sendo esquecidos por aqueles que se preocupam em "bater na mesma tecla" com vistas a "maldita" audiência.
Eis a chave: a audiência.